A dois anos do Rio 2016, instalações esportivas começam a "mostrar a cara"

Fonte: G1

Quando a pira olímpica for acesa no Maracanã, no dia 5 de agosto de 2016, terão início os XXXI Jogos Olímpicos da Era Moderna. Até lá, milhares de operários seguirão na construção de 13 instalações esportivas e na reforma de outras 11, a um custo de R$ 6,5 bilhões dentro do orçamento total de R$ 37,6 bilhões - até agora. Um trabalho tão intenso quanto a preparação dos atletas. O Rio de Janeiro será uma nova cidade a partir de 2016. Não só com novas arenas, mas com novas vias, novos meios de transporte, um porto remodelado, dentre várias mudanças. Faltando exatos dois anos para o desfile dos maiores astros do esporte mundial, o ritmo das obras engrenou no Parque Olímpico, onde os quatro locais de competição começam a despontar na paisagem tomada por máquinas, barro e lama. E o Complexo Esportivo de Deodoro recebeu as primeiras máquinas há um mês para começar a construção da pista de BMX e do circuito de canoagem slalom, obra que mais preocupa (assista ao vídeo com imagens aéreas dos locais).

A preparação segue paralela à pressão por ter muito a fazer em pouco tempo. Desde críticas recentes dos dirigentes do COI, da nomeação de Gilbert Felli como interventor das obras, de uma greve no Parque Olímpico que durou duas semanas em abril e da demora na definição das responsabilidades dos níveis de governo:  

- Nós sofremos pressão por todos os lados. O grande aprendizado é que a jornada não precisa ser tão dolorosa. As obras de legado ou estão prontas ou em andamento. Não é simples desenvolver um evento dessa magnitude. Como exemplo, temos a Transcarioca, o Porto, a linha 4 do metrô... O Parque Olímpico para quem vê dá a impressão que falta muita coisa, parece que tem lama para todo lado, mas a infraestrutura já está adiantada. Não é simples realizar. Até acabar os Jogos Paralímpicos não dá para ficar tranquilo. Posso garantir que não haverá na história das Olimpíadas uma cidade tão impactada quanto o Rio. Barcelona que me desculpe - disse Eduardo Paes em entrevista coletiva na segunda-feira, na sede do Comitê Rio 2016.

No Maracanã, o Governo do Estado garante que não serão necessárias novas intervenções após as reformas para a Copa do Mundo. Um ponto que seguia indefinido até a última segunda-feira era o local das duas quadras de aquecimento do Maracanãzinho exigidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI): em coletiva de imprensa, o governador Luiz Fernando Pezão e o chefe da Casa Civil, Leonardo Espíndola, anunciaram que uma delas será construída dentro do próprio ginásio, e a outra, na Escola Municipal Friedenreich. O Parque Aquático Júlio De Lamare passará por reformas de ampliação das arquibancadas e adequação da piscinas aos padrões exigidos. O Engenhão segue com a recuperação de sua cobertura e iniciou a reurbanização no entorno. Marina da Glória e Estádio de Remo aguardam intervenções e se preocupam com a qualidade das águas da Baía de Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas, respectivamente. 

Na semana passada, a primeira atualização da Matriz de Responsabilidade - que consiste de todos os projetos realizados exclusivamente em razão dos Jogos - indicou avanços com as licitações em Deodoro e o aumento dos custos de R$ 5,6 bilhões para R$ 6,5 bilhões. Com o ritmo acelerado das obras, o Tribunal de Contas da União teme que a qualidade dos serviços seja comprometida e os atrasos aumentem os custos finais. Como aconteceu com o Engenhão, que passa por uma reforma na cobertura, a Vila do Pan, com suas ruas afundadas, e o antigo Velódromo, já demolido, que também apresentou problema em sua cobertura. Embora veja um aumento no esforço dos envolvidos nas obras, o ministro do TCU, Aroldo Cedraz, faz o alerta:  

- Esse risco continua, mas estamos entendendo que está havendo um esforço muito maior por parte da União, da Autoridade Pública Olímpica, do estado e do município do Rio. 

Presidente da Empresa Olímpica Municipal, Joaquim Monteiro de Carvalho descartou a possibilidade de problemas semelhantes nas instalações que estão sendo construídas para as Olimpíadas: 

- [Jogos Pan-americanos e Olimpíadas] São produtos diferentes, dois requerimentos diferentes. As Olimpíadas exigem um grau de planejamento e responsabilidade enorme, e as obras estão em dia. Fazemos reuniões semanais para acompanhar esse calendário. Os Jogos acontecem um ano antes, com os eventos-testes.

A experiência do Pan está servindo como aprendizado para evitar estouros no orçamento, como diz o General Fernando Azevedo e Silva, presidente da Autoridade Público Olímpica, entidade que coordena as ações dos três entes de governo e atualiza a Matriz de Responsabilidades:  

- Os entes governamentais responsáveis pelos projetos estão atentos para que o Brasil entregue Jogos com orçamento enxuto, e com o compromisso com a eficiência e a qualidade das instalações. 

Até 2016, o Rio de Janeiro vai receber 45 eventos-testes para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O objetivo será testar as competições e instalações esportivas. A vela iniciou o calendário com 23 medalhistas olímpicos em ação na Baía de Guanabara. E que com ela venham bons ventos para a Cidade Maravilhosa.